ACORDO DE BASILEIA – O QUE É? PARA QUE SERVE?

Tempo de leitura: 3 minutos

Quem acompanha o cenário econômico há um tempo já deve ter ouvido bastante deste termo, o Acordo de Basileia. Para quem está começando agora a acompanhar as notícias pode vir a se deparar com este termo e não entender, então nada melhor do que atualizar o conhecimento.

Para trazer luz ao assunto, vamos neste artigo abordar com maior clareza o que é o acordo de Basileia, explicar para que ele serve e o que determina. Vamos ao tema!

Acordo de Basileia, a Convenção de Basileia.

O acordo de Basileia é um acordo estabelecido por diversos países a fim de proteger e sustentar o sistema bancário mundial. Seu primeiro encontro se deu na cidade de Basileia na Suíça (daí seu nome) em 1988 entre os maiores representantes dos bancos centrais do mundo. Neste acordo foram estipuladas algumas regras e critérios para dar mais segurança ao sistema bancário dos países acordados.

O acordo de Basileia apresenta princípios básicos que através de uma metodologia de avaliação de risco de crédito busca conciliar liquidez e estabilidade financeira aos que seguem suas regras, estipulando-se um capital mínimo que os bancos deveriam possuir para minimizar os riscos dos empréstimos. O acordo de Basileia I, como ficou conhecido o primeiro acordo, estipulou três grandes pontos principais:

Basileia I

  • Índice mínimo de capital: o banco deve possuir em caixa 8% de seu capital emprestado total.
  • Capital regulatório: o banco deve manter um montante de capital próprio para cobrir riscos.
  • Avaliação de risco dos ativos: o banco deve fazer a avaliação de risco dos ativos que está emprestando baseando-se no perfil do tomador.

Após o acordo, o sistema bancário mundial teve uma significante melhoria devido aos princípios e regras adotados que ajudaram os bancos a melhor mensurar sua carteira de empréstimos e concessão de créditos.

Porém, os bancos ao seguir os mesmos princípios e ao mesmo tempo apresentaram diversos problemas. Como equalizar diversos tipos de capital e risco de crédito se cada banco possui uma carteira diferente de clientes cada qual com suas próprias características e riscos? Foi entendido então que cada banco poderia ter autonomia para mensurar seu próprio risco de capital, mas este teria que ser avaliado e validado pelo Banco Central de cada país. Foi assim que foi assinado o acordo de Basileia II com as seguintes premissas:

Basileia II

  • Promover a estabilidade financeira;
  • Desenvolver maior transparência e disciplina no mercado;
  • Fortalecer a estrutura de capital das empresas; e
  • Proporcionar as melhores práticas de gestão de risco.

Este acordo trouxe maior liberdade para os bancos gerirem seus próprios riscos e também maior transparência das informações passadas ao mercado.

Basiléia III

Após a crise de 2008, a economia global se fragilizou e isto chamou a atenção das grandes economias rendendo a terceira parte do acordo de Basileia. Neste acordo ficou estipulado que os bancos dos países participantes deveriam se proteger melhor de momentos críticos realizando reservas , quando possíveis, em momentos de estabilidade.

Dois pontos importantes nesta nova parte do acordo são:

  • Além da base de 8% de reservas que a instituição deve fazer, o banco deve fazer um colchão de conservação de capital que é uma reserva extra de 2,5% sobre os ativos de risco que dão um total de 10,5% de capital de alta qualidade para a instituição.
  • Também cada banco deve fazer um colchão contracíclico de capital com uma taxa de reserva que varia de 0% a 2,5%, com esta taxa variando de acordo com a necessidade de cada país visando assim à proteção do sistema financeiro.

Então é isto. O acordo de Basileia é nada mais do que um gatilho de proteção às economias mundiais visando à proteção de capital da população.

Para entender mais sobre risco que os bancos correm, ganhos e spreads bancários leia nosso artigo sobre Spread Bancário que você pode acessar clicando aqui. Se gostou não deixe de compartilhar com os amigos!

Até a próxima!

4 Comentários


    1. Olá Cleber, Tudo bem?

      Eu me identifico bastante com as linhas liberalistas da visão econômica, as quais pregam uma economia baseada no livre mercado e na baixa intromissão do Estado na economia. Se quiser conhecer um pouco mais sobre ela, segue link para download gratuito (e autorizado) de diversos materiais:

      http://www.mises.org.br/Ebooks.aspx?type=99

      Abraços!

      Responder

Deixe uma resposta