Credit Default Swaps – CDS Brasil

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Imagine a seguinte situação:

Eu vou ao banco e financio um carro zero por um período de cinco anos. O banco, antes de conceder crédito analisa o meu perfil para saber qual o meu risco de crédito no mercado, ou seja, para saber quais as minhas chances de ficar inadimplente e não devolver o dinheiro do empréstimo.

Depois que eu tenho o dinheiro em mãos, o banco com medo de eu dar o calote e não pagar pelo empréstimo, vai a uma seguradora e vende o risco a ela, pagando um prêmio pelo seguro. Se eu não devolver o dinheiro ao banco, como agora o risco está com a seguradora, é ela quem deve reembolsar o banco pelo dinheiro perdido.

Explicando melhor o que foi dito acima, risco é a possibilidade de ocorrência de um evento, ou seja, qual a probabilidade de eu não devolver o dinheiro? Já prêmio é um valor que pago para proteger meu risco, ou seja, uma antecipação de valor pago hoje para cobrir um evento que possa acontecer no futuro.

De fato, muitos bancos e empresas realizam esse tipo de operação no mercado de ativos, vendendo seus riscos a terceiros para se prevenir de calotes, sejam de pessoas físicas, de outras empresas e até de países!

CDS – Troca de Risco de Crédito.

A tradução acima, mesmo que em um formato livre, é o que poderia ser dito se trouxéssemos o termo Credit Default Swaps (CDS) para a nossa linguagem tupiniquim. De fato, o que a operação faz é seu nome, ela realiza uma troca de um determinado risco de crédito por um título, o CDS.

O comprador do CDS está buscando proteção, mitigar seu risco, se precaver de um possível calote ou falência de uma empresa a qual ele tenha um direito de recebimento. Já o vendedor do CDS está buscando lucro, quando realiza a venda do título na esperança que a empresa, pessoa ou país que esteja com risco cumpra sua obrigação, tendo ganho o dinheiro recebido do prêmio.

Vamos a um exemplo de CDS:

A empresa “Mais ou Menos Ltda.” compra 10 máquinas da empresa “Vende Tudo S.A.” prometendo um pagamento no valor de um milhão de reais para daqui a 90 dias.

Com medo que a “Mais ou Menos” não pague sua dívida, a “Vende Tudo” vai a uma seguradora e propõem a compra do risco de calote. A seguradora analisa a operação e cobra uma taxa de 10% (prêmio) sobre o total da operação para vender à “Vende Tudo” um CDS.

Caso a “Mais ou Menos” não honre o pagamento, a seguradora terá de ressarcir à “Vende Tudo” pelo calote sofrido, porém, caso a “Mais ou Menos” pague o combinado no dia correto, a “Vende Tudo” recebe o valor normalmente enquanto a seguradora lucra os R$ 100.000,00 (10% de prêmio).

E quanto custa um CDS?

Ai é que mora o problema…. não existe um valor padrão ou uma tabela que possamos consultar quando queremos precificar um título de CDS. O valor cobrado (prêmio) varia de acordo com a percepção de risco que o mercado possui do devedor.

Uma empresa que possui bom histórico de crédito, está há muito tempo no mercado e sempre honrou seus pagamentos provavelmente terá um risco baixo e portanto um prêmio igualmente baixo.

Já no caso de um mau pagador, uma empresa em atividade de risco operacional ou uma empresa com boatos de problemas financeiros, o risco e o prêmio serão proporcionalmente elevados.

“Quem determina o risco de uma empresa, pessoa ou país são os agentes que estão no mercado, sendo eles os investidores e possíveis compradores do risco de CDS”.

No caso de países, existem títulos de CDS para quem compra dívida do país (como quem compra títulos do Tesouro Nacional brasileiro). Quanto mais arriscado for emprestar dinheiro para aquele país, maior também será o prêmio de risco pago.

Cada país possui um nível de risco, sendo os EUA um dos países de menor risco.

Vantagens e desvantagens do CDS.

Como em todo e qualquer negócio, há pontos a favor e contra o CDS.

Uma das maiores preocupações de quem analisa este tipo de título é que, uma vez que o mercado é quem precifica o prêmio do devedor, há a possibilidade de os agentes estarem exageradamente otimistas ou pessimistas em relação à empresa, pessoa ou país.

Pode haver casos em que informações incompletas ou tendenciosas mexam com os sentimentos de percepção no mercado, levando-os a mensurar erroneamente o risco real do título.

Geralmente há agências de classificação de risco que realizam uma análise mais minuciosa do devedor para dar com mais certeza um nível de risco a ele. No entanto, há quem diga que os CDS são mais eficientes que as agências de classificação de risco, pois o sentimento do mercado geralmente se baseia tanto no cenário micro e macro da empresa, como na visão que a grande massa de investidores e instituições financeiras tem acerca da empresa, pessoa ou país, podendo os CDS ser utilizados como uma bússola na percepção de crashs e calotes.

Este debate se acalorou nos últimos tempos na crise recente de 2008, quando as agências de classificação de risco atribuíam boas notas às empresas que de fato estavam com uma situação desfavorável, levando milhares de investidores e credores a perder dinheiro devido a uma análise errada pelas agências

E você, o que acha? O mercado está sempre certo ou devemos consultar empresas especializadas em análises financeiras?

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Graduado em Ciências Contábeis, possui MBA em Investment Banking e está agora iniciando seu mestrado em economia. Atualmente trabalha no mercado financeiro e escreve os blogs com o objetivo de ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais acerca do mundo econômico, contábil e administrativo e sobre tudo o que isto implica.

6 COMMENTS

  1. Denis
    Este mercado possibilita a emissão/compra de valores fracionados do risco de uma dada empresa? O seu exemplo passa a ideia para quem não tem conhecimento deste mercado (meu caso) de que tratam-se de operações casadas. Ex.: Eu tenho um risco específico (uma certa transação de compra e venda) e repasso este risco para uma seguradora,que analisará este risco específico, e cobrará um prêmio para assumi-lo no lugar do credor original.
    Imagino que as coisas devem funcionar se a seguradora distribuir este risco específico , por papéis seus representativos dos CDS, em prazos e valores descasados dos compromissos originais.É isso?
    Se houver casamento de papéis, imagino que o risco não se dilua, além de deixar a transação sujeita a risco de fraude.
    Grato

    • Olá Mark! Ótima pergunta!

      Na maioria dos casos de fato ocorre uma “venda casada”, ou seja, emite-se uma CDS para algum tipo de risco específico como você mesmo afirma. Se eu puder te indicar uma material visual para compreensão, recomendo o filme “A grande aposta” ou no título original “The big short”. No filme, um grupo de investidores emitem CDSs contra títulos de hipoteca americano, os quais desencadearam a crise de 2008. O filme responde bem a sua pergunta, até por ser um material bem didático.

      Em um contrato de CDS, estabelecemos também um prazo específico, tal qual um seguro de carro, por exemplo, que possui vigência de um ano. Ao fim do prazo determinado é verificado se o “gatilho” do título foi acionado (no caso um default). Nesse caso são acordados prazos pré-fixados para que o possível risco de default esteja dentro do período contemplado.

      Espero ter ajudado. Abraços

    • Olá Felipe, tudo bem?

      Os CDS não são facilmente encontrados como ações ou CDBs, nos quais é possível encontrar em corretoras ou bancos.

      Eles são negociados somente em mercados de balcões e em sua grande maioria por instituições financeiras como bancos, fundos de pensões e bancos de investimentos.

      No Brasil eu particularmente não conheço uma seguradora que realize este tipo de serviço para pessoas físicas. Tendo feito pesquisas em diversos sites, o resultado foi o mesmo… nada de corretoras brasileiras.

      Creio que você só encontrará um CDS no Brasil para pessoa física em instituições financeiras no exterior.

      Espero ter ajudado. Abraços!

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