Crise no Brasil – Como sair da crise?

Crise no Brasil – Como sair da crise?

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Nestes últimos meses o cenário político-econômico ficou agitado. Tivemos anúncios de cortes de custos em diversas áreas do governo, também alguns protestos contra esses cortes e por fim muitos pronunciamentos de justificativas por parte do governo.

Mas este artigo não serve para criticar o governo X ou Y. Eu particularmente não vou tomar posição ou fazer propaganda de algum partido neste site.

Nós tentamos sempre sermos imparciais quando escrevemos conteúdos de algum artigo e na maioria das vezes nos abster quando tocamos em algum assunto polêmico.

No entanto, nos últimos meses, muitos leitores nos enviaram e-mails questionando acerca do mesmo assunto: O Brasil está um caos por causa da crise internacional?

Crise no Brasil

Na maioria dos pronunciamentos das justificativas sobre a Crise no Brasil, nossos governantes tentam justificar a atual situação do país afirmando que o que nos afeta hoje é um reflexo da crise que abalou o mundo em 2008 e que ainda persiste em muitos países, inclusive o nosso.

No entanto, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva disse à época do estouro da crise que o que afetava o resto do mundo, aqui não passou de uma marolinha (clique aqui para ler o nosso outro artigo sobre crises).

Então a pergunta que não quer calar é:

“A crise internacional afeta a crise no Brasil?”

Mundo globalizado, tudo está interligado.

É mais do que óbvio que com um mundo cada vez mais globalizado,  quando o resto do globo está passando por um momento de dificuldades financeiras, nosso país sofre parte dessa recessão.

Seja com problemas na balança comercial (importação x exportação), seja no fluxo de capitais (quando o investidor estrangeiro retira seu dinheiro do Brasil) ou nos preços internacionais das commodities (que influenciam diretamente o Brasil).

O ponto principal é que de fato a crise de 2008 abalou as estruturas de grandes países como EUA, Inglaterra e a Europa como um todo.

Muitos dos países que foram pegos no olho do furação ainda penam suas economias. No entanto, devemos ter em mente que já se passaram alguns anos desde a crise e que apesar de lenta, a recuperação tem aparecido. Veja o gráfico abaixo:

O gráfico deixa muito óbvio que os países se movem muito próximos uns dos outros.

Podemos ver o desenho de crescimento e recessão realizando os mesmos desenhos em diferentes países. Mas o que eu gostaria de chamar a atenção é para o gráfico pós 2008.

No ano em que houve o estouro da crise, todas as grandes economias sofreram uma real e significativa perda de seus PIBs. Mas reparem agora nos dois anos sucessivos ao crash (2009 – 2010). Em suma, os países da Europa e Reino Unido tiveram um ano desastroso em 2009 com alguma recuperação em 2010 (exceto a Espanha).

Se observarmos o Brasil, ele foi o único que não só fugiu dos danos da crise, como conseguiu evoluir significativamente seu PIB, principalmente em 2010 quando crescemos 7,5%.

O governo brasileiro atingiu esse feito principalmente com sua política fiscal expansionista, aonde injetou dinheiro na veia da economia nacional.

Você pode estar se perguntando como o governo fez isso, e na verdade a resposta é bem simples… ele incentivou o crédito bancário tanto às pessoas físicas (nós cidadãos) como às pessoas jurídicas (empresas).

Com a redução da SELIC, o crédito se tornou mais barato e as pessoas puderam consumir mais. Com o aumento na demanda (consumo), as empresas investiram como nunca em produção, e o resultado disso foi o crescimento excepcional deste período.

Mas como toda ação tem uma reação, o ato de inflar a economia deste modo tem um preço. E essa conta chegou em 2014!

Com um crescimento exponencial no consumo dos produtos, facilitado principalmente pela enxurrada de crédito que o governo pôs no mercado, cedo ou tarde a demanda iria ultrapassar a oferta dos produtos.

Mesmo com as empresas produzindo a todo gás, chega uma hora que não há mais como expandir e são nessas horas que a inflação vem para nos atormentar.

Com as pessoas querendo consumir sem limites e as empresas com um número limitado de produtos, os preços começaram a subir de tal forma que fugiu do controle do governo o teto de crescimento máximo da inflação, que era de 4,5% (podendo chegar a 6,5%).

E não estamos falando apenas de produtos como carros ou televisores. A inflação também atingiu produtos como imóveis, aonde iniciou-se a criação de uma bolha nos preços, tornando-os insustentáveis.

Com a inflação atingindo o teto da meta (6,5%) o governo teve de intervir com os aumentos sucessivos da SELIC para frear o consumo. Mas quando ele fez isso, atingiu em cheio as pessoas que tinham financiamentos à pagar e dívidas, tornando-as muito mais caras.

Não deu outra… as pessoas reduziram seu consumo a patamares normais, porém as empresas que tinham investido milhares e milhões de reais em novas fábricas e funcionários não tinham mais para quem vender. Com isso, começaram as demissões, o fechamento de fábricas, a quebra de empresas e a piora na economia.

O gráfico abaixo (retirado do artigo Brasil, o que deu errado) mostra bem o processo de SELIC x Inflação:

Conclusão:

É um fato que todos os países foram afetados pela crise mundial de 2008 e que muitos deles continuam com as pernas bambas. O que não podemos dizer é que a culpa é única e exclusivamente da crise lá fora. O governo errou na mão em suas últimas manobras econômicas e hoje paga pela falta de planejamento e coerência.

A César o que é de Cesar! Ao Governo o que é do Governo!

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Até a próxima!

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Graduado em Ciências Contábeis, possui MBA em Investment Banking e está agora iniciando seu mestrado em economia. Atualmente trabalha no mercado financeiro e escreve os blogs com o objetivo de ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais acerca do mundo econômico, contábil e administrativo e sobre tudo o que isto implica.

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