Crise no Brasil – O que deu errado?

Crise no Brasil – O que deu errado?

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Há muitos casos em que uma promessa de sucesso deu errado, mas a promessa de que o Brasil iria deslanchar e entrar no TOP 5 das economias mundiais foi uma das maiores e mais espalhafatosas dos últimos tempos.

A foto do artigo remete a uma pergunta que muitos economistas fizeram pelo mundo afora e que foi destaque na revista The Economist , “O Brasil estragou tudo?”

Nossa história econômica sempre foi conturbada, e pelo que converso com as pessoas de mais idade, tranquilo mesmo nós nunca estivemos (economicamente falando). Um dos pontos que todos citam é a inflação sofrida nas décadas de 70 e 80, e que ainda está vivo na memória de muitos de nós.

Com a casa mais ou menos arrumada a partir da criação do Real e com a inflação um pouco mais estável as coisas foram dando certo, e com o boom das commodities a coisa deslanchou! Ou não?

Boom das commodities

Os aumentos nos preços das commodities foram a peça chave para fazer a economia do país crescer como nunca. O Brasil sendo um grande exportador destas aproveitou como ninguém a explosão de demanda por produtos primários como o cobre e outros minerais.

A China crescendo à taxas estrondosas e movimentando todo o cenário mundial fez com que os preços das commodities subissem sem parar, dando especial atenção a 2009 e 2010, quando os preços atingiram seus picos.

Uma das empresas brasileiras que mais saiu ganhando foi a VALE, empresa esta que exporta minérios ao mundo todo com grande parte de seu faturamento atrelado intimamente ao apetite chinês.

Para se ter uma ideia, o valor de mercado da VALE em 2002 era de US$ 11 Bilhões e em 2010 US$ 275 bilhões. Bota crescimento nisso! No gráfico abaixo podemos ver a evolução das exportações de minérios.

Crise, o que vai volta.

Estava indo tudo muito bem, obrigado. No entanto, quando tudo está muito calmo as pessoas tendem a relaxar e deixam de ser atenciosas a detalhes que em tempos de crise elas estariam observando.

A renda cresceu no mundo todo, principalmente nos países dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e claro que as bolsas mundiais começaram a subir com o momento de euforia. Um país em especial que teve bons ventos de euforia foram os EUA.

Lá estava tudo bom e tudo bem. Tão bem que as pessoas estavam com mais dinheiro no bolso, os bancos emprestando mais e o crédito imobiliário correndo solto. Mas, pera ai! Todos nós sabemos o que ocorreu nos EUA em 2008.

Exatamente, o clima de euforia foi inflando a animação dos americanos que se endividaram até não poder mais para comprar imóveis e mais imóveis. Resultado? O Crash imobiliário de 2008.

O mundo parou e todas as economias tomaram um susto! Os EUA? A maior economia do planeta aos frangalhos? Não pode ser! Todos os países foram obrigados e colocar o pé no freio e isso gerou um crash mundial.

Uns mais outros menos, mas a crise pegou todos. Os BRIC não foram tão afetados, pois a euforia das commodities continuava, tanto que o Brasil teve um crescimento assustador em 2010 de 7,5%.

Mas é quando a coisa está calma que tudo desanda.

Quando o mar está calmo, qualquer barco veleja bem.

Com o Brasil de vento em poupa, o governo não abriu mão de encher o peito para dizer que o “tsunami que afetou o mundo no Brasil foi uma marolinha”. Será?

Para segurar a crise e manter a economia do país o governo brasileiro injetou dinheiro na economia, o que resultou em maior consumo por parte da população, que fez a indústria ter mais demanda e produzir mais, que pagava maiores salários aos funcionários e então eles podiam comprar mais. O ciclo ia funcionando.

Porém, como tudo nessa vida, todas as coisas tem limite.

A indústria, apesar de contratar mais, comprar mais matéria prima e forçar as máquinas no talo, também tem seu limite. Chega uma hora que simplesmente não dá mais para produzir. E todos que acompanham este blog sabem bem o que acontece quando não há oferta e há demanda… inflação.

A população com a carteira cheia e com sangue nos olhos para consumir foi às compras. Comprava-se de tudo.. carros, roupas, cosméticos, casas. Tudo! Mas com a indústria chegando no seu limite os lojistas começaram a aumentar seus preços por dois motivos:

1- A ganancia deles faziam com que eles quisessem mais dinheiro. Como a galera estava com mais bufunfa, muitos se dispunham a pagar mais caro por aquilo que queriam.

2- Como havia estoque limitado e os lojistas não queriam zerar estoque em um dia só os preços subiam para “limitar” o consumo.

Enfim, o resultado não foi bom e como o governo tem o DOM de fazer o que não deve, ele fez exatamente o que não poderia ter feito.

Para estimular MAIS o consumo e para fazer o PIB crescer MAIS, o governo começou a abaixar a SELIC e consequentemente o custo dos financiamentos dos empréstimos no país. Ah meu amigo, isso foi a cereja de um bolo inflacionário. Se antes estava fácil com dinheiro no bolso, imagina com dinheiro no cartão de crédito!!

Com os juros lá em baixo a inflação começou a subir… e a subir… e a encostar no teto da meta, a ultrapassar a meta, a sufocar a meta!! E ai o governo começou a se preocupar. No gráfico abaixo você consegue ver bem a relação da queda da SELIC com o aumento da inflação.

(o gráfico ficou pequeno porque a página do blog é limitada. Para ver ele melhor clique na imagem).

Podemos dar maior atenção ao quadrinho destacado que demonstra a elevação da taxa SELIC em 2013. Em todas as reuniões houve aumentos. Sabe por quê? Porque a inflação já estava em seu limite.

Como está hoje?

Se eu pudesse escolher uma palavra, ela seria “ruim”.

A economia não está lá aquelas coisas, mas também não vou dizer que estamos afundando o barco. É que assim… 2012 nós crescemos apenas 1% do PIB, 2013 foi 2,3%. Sim, 2013 foi um pouco melhor, porém crescer 2,3% sobre um crescimento ínfimo anteriormente não é tão difícil… é quase uma obrigação!

A inflação fechou no limite, as contas do governo foram maquiadas com a já famosa contabilidade criativa, a bolsa de valores decepcionou, e agora em 2014 pelo jeito vem mais chumbo grosso.

Este ano tem copa e eleição. Há quem diga que o segundo vai ser resultado do primeiro. Eu tenho minhas dúvidas, mas a questão é que o Brasil em 2014 vem cambaleando em muitos setores da economia. Quer uma prova? Veja abaixo o gráfico com o índice de confiança da indústria, comércio e consumidor.

Todos estão caindo desde o começo do ano, o que significa que estamos perdendo a confiança de que o país vai apresentar um bom resultado neste ano. Geralmente quando a confiança das pessoas despenca, o caminho para uma crise é logo ali.

Conclusão

Agora o jeito é esperar. Vamos torcer para quem quer que seja que estiver na presidência no ano que vem consiga reverter esse claro sinal de instabilidade econômica.

Espero que todos tenham gostado do artigo!

Se gostou não deixe de compartilhar com os amigos! Até a próxima!

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