IPO – O processo (Parte 1).

IPO – O processo (Parte 1).

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Nós já falamos aqui no blog sobre o IPO (Initial Public Offering) ou traduzindo o processo de Oferta Pública Inicial de ações (clique aqui para ler).

Este processo consiste basicamente em transformar o controle acionário de uma empresa, passando de sociedade limitada (clique aqui para ler sobre tipos de sociedade) com o controle gerido por um núcleo de empresários para capital aberto, com a negociação de participações no capital desta empresa aberta a qualquer interessado.

Colocando em poucas palavras, a empresa passará a ter seu capital social negociado entre diversos investidores que irão adquirir uma parte (ação) da empresa.

Mas antes de entender como funciona o processo de IPO, vale a pena entender o porque de uma empresa abrir seu capital!

Acesso ao mercado de capitais!

Para realizar as suas atividades corriqueiras uma empresa precisa antes de tudo de dinheiro, ou como é comum dizer, de capital. De forma resumida, é possível obter esse capital de três maneiras:

a) Através do aporte financeiro dos próprios sócios/acionistas.

b) Através de empréstimos bancários junto à instituições financeiras.

c) No mercado de capitais.

(Para ter uma visão mais completa de como se dá o funcionamento de uma empresa, recomendo acompanhar os blogs Adm sem segredos e Contábeis sem segredos).

Sobre o primeiro, cada sócio pode dar um valor de entrada no momento da constituição da empresa, conhecido como “capital inicial”, sendo este valor acordado entre todos os acionistas e descrito em um contrato social para formalização.

Já sobre o segundo, as empresas podem solicitar junto às instituições financeiras um empréstimo monetário o qual a empresa se compromete a devolver em uma data futura com o acréscimo de juros (também conhecido como spread bancário).

Nas alternativas descritas acima, muitos estudiosos alegam que ambos podem ser meios relativamente caros de se obter capital, afinal os donos da empresa exigirão uma remuneração pelo dinheiro investido na companhia, sendo essa remuneração maior ou igual ao retorno financeiro que estes conseguiriam investindo em outros ativos (LCI, CDB, Ações e etc.).

O banco também é uma alternativa relativamente cara, afinal o papel das instituições financeiras é a de fazer a “compra e venda” de dinheiro, cobrando juros pelos empréstimos, os quais geralmente são custosos.

(Aprenda como funciona um banco clicando aqui).

Sobra então aos administradores da empresa tentar buscar recursos junto ao mercado de capitais, ou seja, vendendo títulos ou ações no mercado a fim de levantar recursos com pequenos investidores, diluindo o risco.

Seja através da emissão de títulos como Debêntures, venda de direitos creditórios através de FDICs ou vendendo uma parte de seu controle por ações, a obtenção de recursos no mercado aberto tende a ser mais barata, visto que há a diluição de valores entre diversos investidores.

Sendo assim, fica entendido que um IPO é vantajoso para a empresa quando pensamos que esta conseguirá levantar um elevado volume de capital no mercado de ativos vendendo pedaços de seu controle através de ações.

O IPO é ideal no momento que a empresa já está consolidada em seu mercado de atuação e deseja crescer através de uma forte expansão de suas atividades, sendo o IPO uma oportunidade para a companhia alcançar uma grande quantidade de recursos de uma única vez.

IPO, o processo.

Dado acima as vantagens de se realizar um IPO, a empresa que desejar abrir seu capital deve entender também que o processo como um todo é longo, bastante burocrático e também custoso, podendo a companhia ao final do processo perceber que não é vantajoso ou possível abrir seu capital por diversos motivos.

Mesmo longo, o processo se faz necessário a todas as empresas, afinal os investidores só comprarão ações da companhia quando se sentirem confiantes com o nível de informações disponíveis.

Abaixo realizamos um passo a passo do processo tendo ao lado uma estimativa do tempo (em média) para cada etapa.

OBS: Etapas com o mesmo número (Ex: 1.1 e 1.2.) ocorrem simultaneamente.

1) Montagem da equipe especialista (1º mês): antes de dar início aos processos, a empresa precisa reunir uma equipe com especialistas no processo de IPO para tornar o percurso o mais rápido, seguro e correto possível, evitando que no futuro sejam necessários repetições de etapas devido a erros ou desatenção.

A equipe deve possuir uma instituição financeira parceira (responsável pelo lançamento das ações no mercado), auditores (responsável por analisar os dados contábeis da empresa), advogados (responsável pela parte jurídica do IPO) e um especialista em contato com a CVM (reguladora do mercado de capitais no Brasil).

2.1) Solicitação de registro de companhia aberta na CVM (2º mês): como reguladora de mercado de ativos financeiros no Brasil, toda empresa que deseja abrir seu capital (IPO) deve antes solicitar permissão à CVM.

2.2) Solicitação de listagem na BVMF (2º mês): no Brasil, devido ao fato da BVMF ser a única bolsa de negociação de ações, toda empresa obrigatoriamente deve solicitar sua listagem nela. Em outros países, como os EUA, que possuem mais de uma bolsa, cada empresa fica livre para solicitar a listagem nas mais diversas bolsas, tendo às vezes sua ação negociada em mais de uma simultaneamente.

Curtiu o artigo? Para continuar lendo sobre o processo de IPO clique aqui e leia a parte 2!

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Graduado em Ciências Contábeis, possui MBA em Investment Banking e está agora iniciando seu mestrado em economia. Atualmente trabalha no mercado financeiro e escreve os blogs com o objetivo de ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais acerca do mundo econômico, contábil e administrativo e sobre tudo o que isto implica.

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