IPO – O PROCESSO (PARTE 2).

Tempo de leitura: 5 minutos

Dando continuidade ao nosso artigo especial sobre IPO, vamos à segunda parte com o processo para uma empresa abrir seu capital em bolsa.

(clique aqui para ler a parte 1).

3) Estudo de viabilidade/apetite do mercado (2º ao 3º mês):

A instituição financeira consulta algumas empresas-alvo para saber se há algum interesse no investimento das ações da companhia que pensa em abrir seu capital. Nessa etapa ainda não são conversados valores de aporte ou tampouco a cotação da ação em seu IPO. O processo ainda é especulativo para dar uma ideia se o projeto de abertura de capital é viável.

4.1) Revisão de contas e dados contábeis dos últimos três exercícios (3º ao 8º/9º mês):

Os auditores envolvidos analisam se as informações contábeis estão de acordo com as normas exigidas pela CVM e Bovespa em padrão com o IFRS, modificando o que estiver em desacordo para a emissão de parecer de conformidade dos dados aos possíveis investidores.

4.2) Preparação da Análise econômico/financeira e DUE DILIGENCE (3º ao 8º/9º mês):

É realizado um relatório com as informações e projeções acerca dos dados econômico/financeiro da empresa, demonstrando a viabilidade do projeto dos controladores e demonstrando ao mercado a solidez da empresa e sua capacidade de gerar lucro aos seus novos acionistas. Essa análise é conhecida também como due diligence e aborda os seguintes pontos:

  • Análise da Adequação dos Sistemas da Empresa.
  • Análise da contabilidade da Empresa e dos controles internos.
  • Auditoria dos balanços
  • Análise dos benefícios e dos custos da abertura de capital
  • Análise do perfil da empresa.
  • Criação da área de Relações com Investidores
  • Marketing Financeiro do IPO da Empresa no Mercado
  • Análise da situação societária da empresa.
  • Contratação de advogados especializados em IPO.
  • Eventual simplificação societária caso seja necessário mudar a atual estrutura dos sócios/controladores e suas participações.
  • Escolha da Instituição Financeira que realizará a distribuição pública das ações.
  • Escolha do Conselho de Administração em parceria com a empresa.
  • Criação das cláusulas de governança corporativa da empresa.
  • Discussão dos planos sucessórios da empresa e responsabilidade dos administradores.
  • Discussão sobre a política de distribuição de dividendos.
5) Preparação do Prospecto do IPO por uma instituição financeira (9º ao 11º mês):

Com todas as informações em mãos, a instituição financeira monta um documento chamado “prospecto”, o qual contém dados da empresa que pretende abrir seu capital bem como demais informações que possam interessar o mercado.

Com este documento em mãos, a instituição financeira vai ao mercado para fazer um “road show”, sendo este uma visita a diversas empresas-alvo (bancos, corretoras, grupos de investimentos, fundos de investimentos e investidores qualificados) a fim de apresentar a nova empresa que será listada em bolsa e verificar o interesse destes alvos pela nova ação.

Nesse road show também se forma o “livro de ofertas”, um valor teórico que as empresas estipulam para o lançamento da nova ação, sendo esse o valor médio ao qual estas empresas estão dispostas a entrar nesse ativo e adquirir suas ações.

6) Avaliação Pré-IPO (Avaliação Final) (12º mês):

Com a avaliação da empresa e um valor médio estimado de abertura de capitais já definido, a instituição financeira realiza um último relatório com todas as informações pertinentes consolidadas. Este relatório é então enviado ao mercado financeiro como um todo (geralmente disponibilizado na internet/site da companhia para download).

Este mesmo relatório também é enviado à CVM para finalização do processo de abertura de capital.

7) Abertura do capital (12º mês):  

são distribuídas as ações no mercado e inicia-se a negociação intraday igual às demais ações já listadas em bolsa.

Tempo total: aproximadamente 12 meses.
Custo total: aproximadamente R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais).
Custo anual: após o IPO a empresa tem um custo médio de R$ 1.000.000,00/ano (um milhão de reais por ano) com taxas.

Tipos de distribuição

Ainda sobre o IPO, podem ocorrer basicamente dois tipos de distribuições no mercado:

a) distribuição primária: emissão de novas ações diretas na bolsa aos investidores em geral ocorrendo a troca ação x dinheiro, sendo a empresa quem vende as ações no mercado e quem recebe em troca uma quantia monetária (capital) pela venda. O IPO é necessariamente uma distribuição primária.

b) distribuição secundária: realização de compra e venda entre os investidores que possuem ações da empresa em sua carteira. A empresa na grande maioria das vezes não possui influência no mercado secundário e tampouco recebe algo pela negociação*.

* A empresa de fato se beneficia quando as cotações de suas ações sobem na bolsa de valores, uma vez que os investidores demonstram confiança e perspectivas positivas para a companhia. O mesmo aplica-se negativamente quando as cotações das ações caem.

Então é isso! Agora você já sabe como funciona a abertura de capital de uma empresa e quais são os procedimentos necessários. Se gostou não deixe de compartilhar com os amigos!

Até a próxima!

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