Monopólio – O que é? Qual seu significado?

Monopólio – O que é? Qual seu significado?

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Imagine que você compra um produto como um pacote de arroz, por exemplo. Todos nós precisamos comer, então todos nós vamos comprar arroz, posto que ele é a base para a maioria das refeições dos brasileiros.

Agora imagine que somente uma empresa produz o arroz e no mercado só há ela oferecendo este produto. O que você acha que aconteceria?

Você acha que ela colocaria os preços do arroz o mais baixo possível a fim de que todos nós possamos comprar o produto ou você acha que ela elevaria seus preços como bem quiser, pois afinal ninguém tem este produto para poder vender e competir com essa empresa.

Monopólio, qual seu significado?

É exatamente isto que pode acontecer quando uma empresa domina um mercado como um todo, o Monopólio.

A definição clássica de Monopólio é então quando uma empresa controla um mercado sendo ela a única fornecedora deste produto/serviço ou por possuir uma fatia grande no Market share* do mercado (mais de 25% de todo mercado).

*(Market share é um termo, em inglês, que significa “fatia de mercado”. Ele é uma medida utilizada para saber qual o percentual de vendas, por exemplo, que uma empresa possui dentre as demais companhias que atuam no mesmo setor que ela).

Qual o real perigo de um monopólio?

Na maioria das vezes o problema de uma única empresa constituir predominância no mercado é que sem concorrência ela pode praticar práticas nocivas aos consumidores que se veem obrigados a adquirir seus produtos por falta de opção.

Alguns setores dependem de investimentos gigantes para poderem ser realizadas suas produções, como os de petróleo, mineração e dentre outros.

Nestes setores algumas empresas melhor capitalizadas, ou seja, com um investimento maior naturalmente se sobressaem sobre outras menores com poder monetário reduzido. Nestes casos as grandes empresas às vezes realizam práticas desleais quando estas baixam seus preços* devido ao seu grande poder de produção e assim forçam as empresas menores a seguirem o reajuste podendo comprometer os lucros por vezes as levando a falência.

*(A prática de baixar o preço intencionalmente para prejudicar as demais empresas do mercado se chama dumping).

Porém, para evitar que algumas empresas se sobreponham às demais de forma desproporcional, diversos órgãos reguladores tentam minar esse tipo de prática para poder assim dar mais competitividade aos setores e também para proteger as empresas menos favorecidas.

No Brasil o órgão que regula a fusão/incorporação de empresas, para que uma ou mais empresas se unam para dominar um determinado mercado e formar monopólios, é o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Monopólios Naturais

Há setores na economia que fornecem bens essenciais para a população como um todo, ou até um bem de uso comunitário. Nestes casos é “natural” que se forme um monopólio, pois os custos de se ter diversas empresas afetaria mais os bolsos dos consumidores do que se tivesse apenas uma.

Este tipo de monopólio natural é visto geralmente em serviços de ordem pública, como o fornecimento de luz nas ruas, fornecimento de água, gás, segurança dentre outros. Como são setores essenciais o governo não pode (ou não quer) se dar ao luxo de ter empresas praticando preços abusivos uma vez que todas as camadas da sociedade irão necessitar destes bens/serviços.

Mas então como essas empresas são remuneradas?

A maioria dos serviços públicos é mantida com o pagamento dos impostos pela população que se beneficia do uso destes, pois em grande parte dos casos não é visado o lucro por parte da empresa prestadora de serviços que se mantém junto ao poder público.

Diversificação da indústria

Se uma regra básica da economia é a famosa teoria da Oferta x Demanda, podemos concluir facilmente o porquê de um setor em que há várias empresas atuando é melhor do que um que exista monopólio.

Quando há a competição o mercado como um todo ganha. Não só no quesito dos preços, que geralmente tendem a ser competitivos para estimular o consumo, mas também pelo fato de as empresas estarem sempre se inovando tecnologicamente para poder otimizar suas produções e assim conseguir maximizar seus lucros.

Monopólio tem seu lado bom?

A existência de monopólios também não pode ser taxada como a pior situação existente no mercado. Na verdade há alguns pontos positivos a serem observados em setores que possuem monopólios.

Em alguns setores monopolistas se percebeu que a empresa mantinha preços competitivos de seus produtos ou serviços para poder fidelizar seus clientes e também conquistar novos.

Quando uma empresa possui todo o mercado mas seu produto não é de caráter essencial muitas das pessoas simplesmente deixam de consumir seus produtos por não verem valor agregado na compra deles.

Também a falta de concorrentes pode deixar o produto mais barato (é raro, mas pode acontecer). Como a empresa possui um grande setor de produção, elas podem negociar o preço com seus fornecedores uma vez que se a empresa não comprar deles eles podem falir por não ter pra quem mais vender, além de a empresa monopolista poder reduzir custos agregados ao produto como o gasto com publicidade e propaganda que é inexistente por essa não ter competidores no mercado.

Então é isso, agora você já conhece o mercado monopolista, seus benefícios e malefícios. Basta agora analisar quais os lados pesam mais nas empresas que você conhece: Concorrência mercadológica ou exclusividade setorial.

Quer saber mais sobre monopólios e outros modos de mercado? Clique aqui.

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Até a próxima!

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Graduado em Ciências Contábeis, possui MBA em Investment Banking e está agora iniciando seu mestrado em economia. Atualmente trabalha no mercado financeiro e escreve os blogs com o objetivo de ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais acerca do mundo econômico, contábil e administrativo e sobre tudo o que isto implica.

9 COMMENTS

  1. É muito bom o seu artigo, mas há uma pequena falha nesse artigo. Não há monopólios benéficos todos os monopólios trazem péssimas consequências para o consumidor. Exemplo a energia Elétrica temos uma das contas mais caras do mundo devido aos impostos e principalmente aos monopólios que garantem a essas empresas lucro fácil pois não há como viver sem energia elétrica. O que eu luto é pela concorrência no setor que o consumidor possa escolher a empresa e também produzir a sua própria energia se assim desejar.

    • Olá Luis, tudo certo? Obrigado pela sua visão!

      Só complementando, eu também sou um partidário do liberalismo, onde a concorrência deve regular o mercado, porém em alguns lugares o monopólio foi benéfico (pelo menos em parte). Tomemos a saúde pública em alguns países ricos ou pobres, onde a população não tem como pagar por tratamentos médicos. Aqui mesmo no Brasil, mesmo que precária, a saúde pública atende uma parte enorme da população considerada de baixa ou baixíssima renda. Sem o assistencialismo público, grande parte dessa camada social não teria como ser atendida.

      Um grande abraço.

  2. Ótimo, Denis. E se me permite, tenho um questionamento: a existência de mais de uma empresa (duas, por ex.) ofertando, mas apenas uma delas domina o mercado, nesse caso, mantem-se a situação de monopólio?

    At.te.

    • Olá Marcelo,

      O monopólio é considerado quando uma empresa domina o setor por si só, mesmo que haja concorrentes que no caso não conseguem rivalizar com a maior delas.

      Abraços.

      • Obrigado, Denis. Iniciei recentemente na Economia, por curiosidade, e gostei, de modo que passei a me aprofundar na matéria.
        Abraço.

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