OPEP – Os países exportadores de petróleo.

OPEP – Os países exportadores de petróleo.

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Imagine uma empresa que produz sanduíches de atum, a qual mantém um monopólio do setor. De repente aparecem outras duas empresas que também fazem deliciosos sanduíches de atum para concorrer no mercado com você.

No entanto, ao invés de sair brigando pelos clientes de forma desesperada e quem sabe entrar numa briga feia, você prefere amigavelmente conversar com as outras empresas e juntas planejarem mais ou menos quantos sanduíches cada uma irá fazer por mês, a fim de manter o mercado de sanduíches de atum equilibrado.

Isso é errado? Em minha opinião sim… afinal ao controlar produção você também controla preço e qualidade, fazendo do consumidor um refém

(Para saber como funciona o complô de empresas contra o mercado através de Cartéis, clique aqui).

Mas e se eu te disse que este tipo de acordo existe de verdade e que países inteiros controlam a produção e preço de um do mais cobiçados produtos do mundo: o petróleo! Para descobrir como esse “acordo” funciona, vamos ao artigo de hoje!

OPEP, os donos do petróleo.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) é uma organização entre diversos países que possuem um papel relevante na extração e produção de petróleo ao redor do mundo.

Idealizada em 1960, época em que a indústria petroleira era dominada por empresas norte-americanas e europeias conhecidas como As Sete Irmãs, dentre elas a Amoco, British Petroleum, Chevron, Exxon, Mobil, Shell e Texaco.

Com o controle dos preços nas mãos destas empresas, os países exportadores de petróleo não possuíam muito poder de negociação e acabavam aceitando condições desfavoráveis na hora de vender seu produto.

As Sete Irmãs forçavam a redução do preço de venda a fim de lucrarem mais.

Foi quando os líderes destes países perceberam a vantagem da união e gestão da produção do volume de petróleo, sendo eles quem deveriam comandar o rumo das negociações e não seus clientes.

Dos cinco países originais de fundação podemos citar a Arábia Saudita, Irã, Venezuela, Kwait e Iraque, sendo posteriormente expandido o grupo para doze países com a adição de (em ordem alfabética): Angola, Argélia, Catar, Emirados Árabes Unidos, Equador, Líbia e Nigéria.

O que a OPEP busca?

Dentre os principais objetivos da OPEP podemos citar:

  • Realização do controle, centralização e acompanhamento da cotação do barril de petróleo no mercado internacional, mantendo-o em um nível favorável à suas economias.
  • Estabelecimento da produção média para cada um de seus membros, evitando assim o crescimento da oferta da commodity e a redução de seu preço.
  • Estabelecer padrões de extração e produção do petróleo entre os membros.
  • Criação de uma política interna com o controle e regimento de novos fornecedores de petróleo no mundo.

Com 75% de toda a reserva mundial de petróleo e responsável por 40% de toda a produção mundial, a OPEP tem o poder de criar oferta e demanda pelo petróleo e seus derivados ao redor do mundo, bem como prejudicar países menores que também produzem a commodity, porém não tem relevância significativa para estar junto da organização.

OPEP, a causadora de crises.

Você já deve ter imaginado que com um grupo de países dominando um setor importante como a produção de petróleo, boa coisa não veio disso.

Tudo bem que anteriormente à OPEP já existiam empresas privadas realizando um cartel no setor, mas ainda assim, seja um país, um governo ou uma empresa (ou grupo delas), nunca a concentração de poder foi benéfica.

Dentre os diversos problemas que a OPEP causou na economia mundial, gostaria de citar alguns:

A 1º Grande Crise do Petróleo: datado de 1973, o episódio em que os membros da OPEP elevaram a cotação do petróleo em mais de 500% ficou conhecido como o choque do petróleo. Essa elevação absurda foi resultado da represália que os membros da organização realizaram contra Israel a qual estava em pé de guerra com a Síria e o Egito.

Como Israel contava com o apoio de países europeus e dos EUA, a OPEP prejudicou o fornecimento de petróleo ao ocidente, causando uma grande demanda pelo produto e o consequente aumento de sua cotação, encarecendo todos os seus derivados.

A 2º Grande Crise do Petróleo: consequência da primeira grande crise, a segunda “onda” veio do sentimentalismo que permaneceu da represália dos países da OPEP contra o ocidente.

Com o clima ainda “quente” desencadeou-se a guerra entre Irã e Iraque, dois principais produtores de petróleo da região. No final da década de 70 os dois países entraram em conflito, suspendendo as parcerias desenvolvidas pela OPEP, o que elevou o preço mundial do petróleo em absurdos 1.000%.

Reféns dos membros da OPEP, as constantes crises no setor levaram a dois pontos positivos:

  1. Os países ocidentais perceberam a necessidade de criar uma menor dependência ao petróleo e iniciaram o desenvolvimento de tecnologias para substituição do combustível fóssil.
  1. Com o elevado valor da cotação do petróleo, países ao redor do mundo se sentiram incentivados a investir na extração de petróleo, diminuindo assim a influencia da OPEP na cotação do petróleo.

A 3º Grande Crise do Petróleo: com constantes tensões entre os membros do grupo, desencadeou-se um conflito armado entre o Kuwait e o Iraque, sendo este último comandado por Saddam Hussein à época.

Após a invasão por tropas iraquianas no território do Kuwait, o valor da cotação do petróleo disparou novamente, voltando a se estabilizar somente tempos depois, após a retomada dos locais invadidos com a ajuda de tropas norte-americanas.

Então é isso ai! Agora você sabe quem comanda os mercados de petróleo e como eles já influenciaram grandes crises.

(Falando em crise, nós temos um dica de leitura sobre crise para você. Clique aqui e confira).

Se gostou do artigo, compartilhe com os amigos! Até a próxima.

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Graduado em Ciências Contábeis, possui MBA em Investment Banking e está agora iniciando seu mestrado em economia. Atualmente trabalha no mercado financeiro e escreve os blogs com o objetivo de ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais acerca do mundo econômico, contábil e administrativo e sobre tudo o que isto implica.

2 COMMENTS

  1. Boa tarde.
    “…a OPEP tem o poder de criar oferta e demanda pelo petróleo e seus derivados ao redor do mundo, bem como prejudicar países menores que também produzem a commodity…”, como eles podem prejudicar os demais, quais são as ferramentas que utilizam para isso?

    • Olá João, tudo certo?

      Pelo fato da OPEP ser um grupo dos principais países produtores de petróleo, eles podem extrair e produzir mais e mais petróleo fazendo que com uma maior quantidade de petróleo no mercado, o seu preço caia (seguindo a Lei de Oferta e Demanda).

      Cada país extrai o petróleo de um lugar diferente (mar, deserto, montanhas) e cada um deles tem um custo mínimo de extração, meio que como se fosse seu “custo para produzir”.

      Agora pense em um país onde o custo de produção de petróleo seja de US$ 50,00 por barril e o preço do barril no mercado internacional esteja em US$ 60,00… então ele tem lucro de dez dólares por barril. Porém no caso do preço começar a cair e chegar a US$ 40,00 significa que a empresa começou a produzir petróleo com prejuízo.

      É dessa forma que a OPEP influencia o preço internacional do petróleo e pode prejudicar países menores, com um alto custo de extração e produção.

      Espero ter ajudado! Abraços.

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