Pleno emprego – O que é?

Pleno emprego – O que é?

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Em tempos de bonança, a economia gira perfeitamente como uma roda em uma estrada lisa ou funciona em harmonia como uma peça em uma grande máquina que está trabalhando com toda a sua força e capacidade.

O crescimento da renda da população é sempre elevado, o governo recolhe em tributos somente o necessário e o aplica nas melhores alternativas, a infraestrutura do país evolui e beneficia toda a população e por ai vai.

Porém, em tempos áureos ninguém se preocupa muito com o controle de gastos, elaboração de orçamentos nem na reserva de dinheiro para o amanha. Neste artigo, vamos discutir em quais circunstancias se encontra o pleno emprego, seu significado e como ele pode prejudicar uma economia. Vamos lá!

Pleno Emprego – emprego para tudo e todos.

Quando falamos em pleno emprego, em nossa cabeça vem automaticamente um cenário aonde não há pessoas sem trabalho ou atividade remunerada. No entanto, se formos levar ao pé da letra o que significa o termo “emprego”, teremos que a palavra remete ao ato de aplicar ou dar utilização a determinada coisa.

Sendo assim, temos que pleno emprego é a total utilização dos fatores de produção de uma economia, sendo eles:

1 – Recursos naturais (Terra): recursos naturais que vem da natureza e podem ser incorporados em atividades econômicas. Petróleo, commodities em geral dentre outros.

2 – Mão de obra (Trabalho): é a população economicamente ativa (PEA) pois é ela que tem a capacidade de transformar a matéria prima (Recursos naturais) em produtos acabados.

3 – Capital: Este é o fator de produção que mais qualifica ou melhora o resultado do bem final. Diferente do uso comum para a palavra capital (utilizada como quantia de dinheiro), quando se fala no fator de produção Capital estamos falando do conjunto de estruturas que a sociedade dispõe para a produção de fato. Máquinas, prédios e equipamentos podem ser considerados capital.

Portanto, pleno emprego é quando uma sociedade consegue aplicar todos os fatores de produção que possui disponível com o casamento entre o nível de oferta e demanda, ou seja, não há excesso de recursos ofertados tampouco excesso de demanda sobre tais produtos. Nesse carro ocorre o ponto de equilíbrio, conforme imagem abaixo:

Em nosso exemplo, tudo que está disponível é demandado no ponto de equilíbrio.

Quando tudo vai muito bem…

Quando as coisas vão bem demais, a regra é clara: desconfie!

Em uma economia no mundo real, é muito difícil se alcançar o pleno emprego, uma vez que a oferta e demanda de bens variam muito tanto de produto para produto, como de ano para ano, ou seja, a famosa elasticidade.

Uma coisa que é demandada hoje por modismo ou por inovação pode perder seu glamour daqui um tempo e os que investiram dinheiro e tempo na produção de determinado produto pode acabar com um estoque enorme e com um prejuízo no bolso.

O alcance do pleno emprego geralmente se dá com a intervenção estatal, ou seja, quando um órgão com poder suficiente controla alguma variável que torne o pleno emprego possível.

Tomemos como exemplo a produção de automóveis. No Brasil, os automóveis são caros para se produzir com a quantidade de impostos que são aplicados sobre eles, no entanto, comprar algum automóvel importado é quase incabível pra maioria da população, uma vez que se tornam muito mais alto os tributos.

Para um carro no Brasil não ser tributado como importado, ele deve possuir certa porcentagem de peças produzidas no país, o que diminui a capacidade de empresas estrangeiras comercializarem seus produtos por aqui. Essa “proibição” disfarçada de ajuda ao mercado interno pode resultar em duas coisas:

  • Falta de competitividade: sem concorrência, as montadoras brasileiras não se veem na obrigação de inovar, otimizar seus produtos ou diminuir seus preços, uma vez que elas têm a ajuda estatal que garante seus postos no mercado de automóveis.
  • Aquecimento artificial de determinados setores: quando o governo obriga a indústria a utilizar os fatores de produção nacionais, ele mantém aquecido um mercado que, não fosse a intervenção, teria momentos de alta e baixa como qualquer outro. Como deveria ser.

Com o mercado de metal para os carros, por exemplo, sempre com demanda sob seus produtos, a empresa logo pensa em aumentar seu preço para lucrar mais. O funcionário vendo que a empresa lucra mais também vai pedir um aumento e por ai vai.

O terceiro ponto negativo de um mercado aquecido artificialmente é a inflação com o crescimento no preço dos fatores, o aumento nos salários e a maior disponibilidade de moeda na economia.

(Para saber mais como a inflação afeta nossas vidas clique aqui).

Mas Denis…aumento de salário não é bom?

Claro que é! Mas todo aumento de salário deve vir em conjunto com um aumento de produtividade, caso contrário, a economia se infla e infla como uma bolha e todos nós sabemos o que acontece uma hora com uma bolha!

Se um dia o governo deixar de incentivar ou não tiver mais capacidade de manter os incentivos a determinado setor, acontece o que vemos atualmente no Brasil com as montadoras.

As empresas não vendem mais carros como antes sem a redução de impostos, não produzem mais afetando toda a sua cadeia produtiva, além de não conseguir manter todos os funcionários com seus salários, uma vez que eles cresceram acima do que a capacidade da empresa em gerar lucros.

Todo mundo trabalhando!

O pleno emprego, quando falamos de pessoas, refere-se a um mercado onde não necessariamente exista 0% de desemprego, mas talvez em um mercado que ofereça vagas a todos que estão em busca de uma.

No pleno emprego, quem quer trabalhar encontrará uma vaga. Muitas vezes, um governo consegue alavancar o mercado de trabalho de forma benéfica quando a) cria condições para que as empresas cresçam e queiram contratar mais ou b) invista em infraestrutura e empregue um grande número de pessoas neste processo.

De qualquer modo, deve-se estar atento a como uma economia cresce de forma saudável, e não com uma alavancagem a qualquer custo sem pensar no amanha. Lembre-se: tudo em economia é um ciclo. O que você realiza hoje, terá um retorno amanha em igual proporção.

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Até a próxima!

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