REBAIXAMENTO DE RATING – BRASIL (DE NOVO!!!)

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Mesmo se você não assistiu nenhum jogo de beisebol na sua vida, você certamente conhece aquela regra dos três strikes onde o batedor deve acertar a bola arremessada durante três chances. Caso ele não as acerte três vezes o jogador está fora.

Essa é mais ou menos a situação atual da economia brasileira quando estamos falando de seu rating que sofreu mais uma queda (a segunda) no dia 16 de Dezembro de 2015. Atingimos o segundo strike….

Conforme noticiamos no dia 9 de Setembro de 2015 (Clique aqui para ler), o Brasil havia perdido sua primeira “nota de investimento” (investment grade em inglês) concedida pela agência de classificação de risco Standard and Poor’s.

Como havíamos dito também, o Brasil possuía três notas classificando o país como um “bom pagador” e um lugar seguro para se investir, notas estas concedidas pelas três maiores agências de classificação de risco mundiais: Moody’s, Fitch e Standard and Poor’s.

Em Setembro, perder apenas uma das três notas não era lá uma coisa terrível, afinal para que um país seja considerado arriscado para investir deve-se ter pelo menos duas notas positivas e nós as tínhamos. Ainda assim, quando uma das três agências rebaixa a nota, deve-se acender um sinal amarelo de atenção no governo para que sejam tomadas medidas para manter as outras duas notas e tentar recuperar a primeira perdida…

Foi isso que aconteceu?

NÃO! Com a atual crise política, nosso país só viu suas contas de deteriorarem cada vez mais, além do crescimento galopante da inflação, da redução do emprego, da queda do PIB e etc.. Preso em suas próprias amarras, o governo federal se viu impossibilitado de agir para evitar a sangria pela qual estávamos passando.

O resultado disso? Perdemos a segunda nota positiva dada pelas tais agências internacionais e agora somos um país com nota junk, que em português significa lixo.

Mas Denis… como isso impacta o nosso pais? Minha vida mudará com isso?

Vamos às respostas:

a) O que é uma investment grade?

É uma nota que as agências de classificação de risco dão aos países para certificar sua capacidade de pagamento de suas dívidas.

b) Que dívidas?

Um país precisa arrecadar dinheiro (recursos) para realizar suas atividades de gestão do país. Estes recursos provem basicamente de dois lugares, impostos que nós pagamos e títulos de dívidas vendidos no mercado (nacional e internacional).   Sobre esses títulos de dívidas, um país emite no mercado financeiro mundial um título sob determinado preço se comprometendo a devolver no futuro o valor emprestado mais um juros compensando o investidor por ter emprestado o dinheiro. Na prática, quanto mais arriscado investir em um país, mas caro ele deve pagar em seus empréstimos, aumentando a sua dívida pública.

c) Qual a nota do Brasil?

Tanto na Fitch como na Standard and Poor’s somos BB+ (junk), enquanto que na Moody’s continuamos com um grau de investimento (Baa3).

d) Como isso afeta a minha vida?

Conforme explicamos no outro artigo (clique aqui para ler) podemos listar os seguintes problemas para o Brasil:

1) A Selic pode aumentar:

O COPOM aumentará a sua taxa de juros básico da economia, a Selic e com o aumento dela, todos as cobranças de juros no país se tornam mais caras, então se você estava planejando comprar algo parcelado ou no cartão de crédito pode preparar seu bolso que o produto ou serviço vai encarecer a prazo. A mesma regra se aplica nos juros cobrados em empréstimos pessoais.

2) Os investimentos internacionais diminuirão:

Os investimentos diretos também tendem a diminuir com empresas que possuíam planos de entrar no Brasil e começar a operar que podem agora ficar desconfiadas e resolver esperar as coisas ficarem melhores por aqui antes de trazerem projetos para cá. Ponto negativo… o país deixa de ganhar com novas tecnologias e competitividade que melhora nossos produtos e abaixa os preços.

3) O dólar tende a subir:

Muitos fundos de investimentos estrangeiros investem seu dinheiro ao redor do mundo como forma de diversificação de risco e busca de maior rentabilidade. No entanto, muitos desses fundos de investimentos possuem regras de aplicação de recursos em que só podem colocar dinheiro em determinado país que possua uma boa nota de crédito.

Como o Brasil não se encaixa mais nesse grupo, milhares de fundos não vão poder mais investir aqui e com isso vão tirar seus dólares da nossa economia. Com a lei da oferta e demanda aplicada, pouco dólar dentro do país faz a cotação do câmbio subir, encarecendo os produtos estrangeiros importados.

4) As empresas nacionais e internacionais tendem a diminuir seus investimentos:

Com o clima de insegurança instalado no país, todo investimento realizado pelas empresas é repensado e recalculado para verificar se o custo benefício vale a pena. Com o encarecimento do crédito (tanto para pessoas físicas como jurídicas), as empresas tendem a ficar receosas e devem esperar melhora no cenário interno da economia, diminuindo assim o crescimento no número de empregos e a inovação nos setores.

5) Uma nota de risco baixa tende a atrair “maus investidores”.

Com um risco cada vez maior para se investir no Brasil, somente pessoas com um elevado apetite de risco financeiro colocarão seu capital em nosso país. O problema é que em alguns casos os investidores que alocarão recursos aqui são empresas e pessoas que querem somente especular (o que não é assim de todo mal) como no caso dos fundos abutres, fundos de investimentos que buscam títulos e investimentos ruins ou de alto risco, com o intuito de ganhar elevados lucros exigindo elevadas taxas de retorno para emprestar seu dinheiro.

Além disso, fundos abutres e especuladores não pensam em investir para desenvolver nosso país, eles buscam retornos financeiros rápidos e agressivos, não pensando em investir no longo prazo, o que traz empregos e tecnologia para nosso país.

E daqui para frente?

A situação econômica do país vem se deteriorando e isso é um fato e não mais intriga da oposição, como muitos andaram falando. PIB caindo, juros subindo, desemprego em alta, inflação nas nuvens… estamos em uma tempestade perfeita.

A pressão sobre a presidente é imensa e ela está sob o risco de impeachment. Só nos resta agora acompanhar as notícias do mundo econômico e político nos próximos dias para averiguar como se dará o Brasil pós corte de rating e torcer por melhoras! Se gostou não deixe de compartilhar com os amigos!

Até a próxima!

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