Série Pensadores, Leon Walras.

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É possível juntar economia e matemática em uma coisa só como matérias complementares? Apesar de hoje ser muito comum seu uso em assuntos correlatos, até meados de 1800 acreditava-se que não!

É quando entra o francês Marie-Ésprit-Leon Walras (mais conhecido apenas como Leon Walras) para mudar essa concepção e desenvolver importantes teorias sobre o mundo econômico. Vamos à sua história.

Leon Walras (1834 – 1910)

Com um pai economista, não era muito difícil prever qual seria a profissão do jovem Walras quando este atingisse a maioridade, quando era comum na época os filhos seguirem a mesma carreira de seus pais. Entretanto, Walras percorreu diversos caminhos antes de se descobrir como economista.

Antes de chegar à universidade, passou um tempo estudando engenharia, artes e administração, atuando em diversos segmentos como escritor, jornalista, gerente de um banco,  romancista e também administrador de empresas.

Em resumo, Walras experimentou de tudo um pouco. No entanto, sua maior contribuição veio da economia, mais especificamente da junção entre economia e matemática, a qual deu uma reviravolta no modo de se enxergar a ciência econômica.

Leon Walras lecionou na universidade, matérias relacionadas a matemática e economia, difundindo suas ideias de que ambas podiam coexistir.

Seus conhecimentos foram tão aproveitados e cientificamente ricos, que posteriormente o local onde Walras dedicou boa parte de sua vida como professor ficou conhecido como a origem da Escola Matemática da economia, na Universidade de Lausanne, na França.

Uma de suas inúmeras contribuições à economia foi a da teoria de “tâtonnement”, na tradução ao português, significando tatear. Essa teoria diz ao fato de que quando agentes com oferta e demanda estão dispostos a negociar, ambos tendem a encontrar um “preço comum” em que a transação seja realizada e ambos os lados saiam satisfeitos.

O nome da teoria remete justamente ao fato dos agentes (compradores x vendedores) “tatearem” os mercados em busca de um preço melhor.

A teoria do equilíbrio geral.

Talvez a mais conhecida tese levantada pelo economista, a teoria do equilíbrio geral é um compilado de outras teorias que buscam em conjunto demonstrar como funciona a produção, o consumo e em consequência os preços de um determinado sistema econômico.

Através do estudo microeconômico dos agentes envolvidos, a teoria do equilíbrio geral busca compreender como a relação individual de pequenas interações de oferta e demanda alteram toda a economia, entrando assim no campo macroeconômico.

Walras buscou entender a princípio como duas pessoas interagiam e realizavam transações de trocas através da demanda e oferta individual de cada uma delas.

Com o passar to tempo, o economista foi realizando estudos cada vez mais complexos, passando de apenas dois indivíduos para interação de dois pequenos grupos de pessoas, depois para grupos maiores, chegando, por fim, no entendimento de como todo o mercado realizava suas transações baseados em dois princípios: a oferta e a demanda, onde ambas convergiam para um ponto de equilíbrio de preços. Veja a imagem abaixo para compreender melhor:

leon walras

(Lembra da curva de oferta e demanda? Clique aqui para ver).

A teoria clássica nos diz que do lado da demanda (nós consumidores) quanto maior o preço, menos pessoas vão consumi-lo, enquanto pelo lado da oferta (as empresas), quanto maior o preço, mais interessada a empresa está em produzir aquele produto e lucrar com sua venda.

A teoria de Walras buscava não só entender esse constante conflito entre oferta x demanda, mas também demonstrar que no fim, os preços aceitáveis pelos consumidores para comprar e os preços interessantes às empresas para vender, convergiam em um preço médio de equilíbrio.

Apesar de parecer simples, a teoria era extremamente complexa quando se fazia necessário a mensuração de milhares de dados como:

a) os gostos e preferência dos consumidores de toda uma região.

b) os preços de venda das empresas de toda uma região.

c) como os preços de venda e de compra interagiam a altas e baixas.

Calculando-se a interação entre estes itens, chegava-se enfim ao ponto médio esperado!

Então é isso. Esta foi a quarta parte da série de Pensadores que mudaram a visão econômica do mundo.

Se gostou não deixe de compartilhar! Até a próxima.

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Graduado em Ciências Contábeis, possui MBA em Investment Banking e está agora iniciando seu mestrado em economia. Atualmente trabalha no mercado financeiro e escreve os blogs com o objetivo de ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais acerca do mundo econômico, contábil e administrativo e sobre tudo o que isto implica.

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