Socialismo – O que é?

Socialismo – O que é?

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Desde que comecei a escrever para o site eu tenho evitado tocar neste assunto. Defensor do Liberalismo que sou, posterguei ao máximo escrever sobre as teorias econômicas socialistas.

Nada contra, é claro, pois creio que elas possuem uma validade incrível em determinadas situações além de possuir grandes pensadores econômicos. Mas chegou enfim a hora de falarmos sobre o socialismo.

Então, para este artigo fazer sentido irei dividi-lo em duas partes sendo a primeira falando sobre a parte teórica da economia socialista em si e a segunda a minha opinião pessoal sobre o tema. Vamos ao conteúdo…

Socialismo – a divisão: o todo vale mais do que o um.

Quando você era criança e estava brincando com seus dois carrinhos novos no parquinho da cidade e outra criança chegava e pedia um carrinho emprestado o que sua mãe dizia?

“Divide com ele!”

Desde criança somos ensinados que a divisão é uma coisa boa, pura e deve ser cultivada. Sua mãe podia não saber, mas o que ela estava fazendo era socializar um bem privado, coisa que Marx aprovaria.

Na Roma antiga a soma de todos os bens , direitos e poderes de uma pessoa sobre uma coisa era conhecida como dominium, do latim posse, propriedade, mas anos depois um economista chamado Karl Marx veio com a ideia da abolição da propriedade privada dizendo que esta é uma ferramenta capitalista para o enriquecimento de poucos e a escravidão e submissão de muitos.

Karl Marx, nascido em 1818 na Prússia é considerado por muitos o Pai das ideias socialistas.

Para Marx, o sistema capitalista era um sistema injusto e beneficiador de poucos. Nele haviam duas classes básicas coexistindo neste sistema, sendo a primeira a burguesia que era quem controlava os meios de produção e o capital para os investimentos e a segunda o proletariado, quem realizava a produção em si.

Na produção do sistema capitalista o trabalhador realiza X horas de trabalho em troca de um salário e o burguês dono do bens produzido realiza a venda deste com um acréscimo sobre o preço da produção sendo este o lucro, ou para Marx a mais valia.

A produção em massa, segundo Marx, transformava o trabalhador em uma máquina condenada a um trabalho monótono e repetitivo, tirando deste sua característica de ser humano e o alienando, um traço imprescindível do capitalismo.

Uma outra crítica de Marx era que a produção em massa levaria ao desperdício quando há uma falta de planejamento de crescimento e uma busca desenfreada aos lucros por parte dos burgueses.

Preço, quanto vale cada produto?

“Todas as mercadorias enquanto valores são trabalho humano objetivado” – Marx

Na antiguidade, quando não havia dinheiro para realizar as trocas, o comércio era realizado na forma de escambo, ou seja, quando eu precisava de leite eu trocava por um pouco de arroz que alguém produzia.

Naquela época as trocas eram realizadas através da necessidade de consumo e não eram levadas em conta o trabalho envolvido na produção do produto, mas como o tempo foi passando e o jeito de negociar mudou, ficou mais difícil quantificar quanto custava cada produto.

Economistas do livre mercado dizem que um produto custa o valor máximo que uma pessoa está disposta a pagar por ele, enquanto socialistas dizem que um produto deve custar à soma total do valor agregado ao produto em sua fabricação.

Deve-se atentar que o trabalho é calculado a partir  das horas “normais” de produção como por exemplo, um marceneiro eficiente faz um armário em 5 horas enquanto que um menos experiente em 8, seus valores devem respeitar um padrão de horas normais de trabalho para se evitar a diferença nos preços implicados na produção.

Governo, a base da confiança.

Em uma economia socialista o Governo é quem possui os meios de produção, então não há concorrência.

Então as três perguntas básicas da economia “O que produzir? Para quem? Como produzir?” não se aplicam a essa sociedade uma vez que o Estado irá produzir aquilo que achar necessário para o bem estar da população. O estado possui um comitê de planejamento central o qual decide quais serão as prioridades das empresas estatais e o executam conforme acharem melhor.

Também devemos pontuar que em uma economia socialista o governo é a base do planejamento, ou seja, deve haver total confiança neste a respeito de seus planos. Se um governo construir uma ponte, deve-se entender que esta foi a melhor alternativa aplicada com os melhores recursos, com o menor custo e no menor tempo.

Caramba, para quem não queria escrever sobre acabei deixando um bocado ai acima. Bom, agora como prometido vamos à minha opinião.

Opinião deste que vos escreve sobre o socialismo.

Como dito anteriormente, sou um defensor ferrenho do livre mercado aonde as empresas devem ter liberdade de produção, investimento e atuação.

(Para entender sobre o livre mercado clique aqui e aqui).

Eu basicamente não concordo com o pensamento socialista me apoiando em três grandes pilares principais, que ao meu ver, refutam a existência de uma sociedade comandada fundamentalmente pelo Estado.

1º A essência humana: antes de tudo, nós somos humanos com defeitos, qualidades e limitações. No entanto um defeito em especial que eu gostaria de destacar é o egoísmo. Não digo o egoísmo de não ajudar o próximo, mas sim aquele do anseio de sempre estarmos querendo algo melhor, vide Maslow e sua teoria das necessidades humanas.

Eu creio que para chegarmos a uma sociedade socialista aonde o bem total seja priorizado ao individual nós devemos abandonar uma das características humanas.  Mas ai que entra a minha crítica: temos que nos contentar com a “média” quando eu sei que eu posso mais? Se toda a população quer X e está bom como está, por você individualmente querer mais você está errado?

2º Confiar de olhos fechados: em uma sociedade socialista, o Estado com todo o seu poder absoluto, deve receber total confiança de seu povo. Oras, se uma das características humanas é o egoísmo citado acima, devemos nós fechar os olhos e nos jogarmos a uma confiança cega a um sistema?

Como humanos somos também corruptíveis. Há quem diga que não, que nunca faria nada de errado. Mentira, se me permitem dizer…furar fila, dirigir bêbado e fugir da blitz, jogar lixo na rua, infringir pequenas Leis (“que ninguém vai ver afinal”) também é corrupção. Então se somos egoístas e corruptíveis como confiar todo o poder econômico a um seleto grupo de pessoas no governo que escolherão o melhor para toda uma nação?

Para melhor exemplificar, vide Cuba, Coréia do Norte, Rússia (nos tempos socialistas). Todos estes países sofreram com seus governos socialistas quando seus governantes, antes revolucionários, cegos pelo poder tomaram o país para si e comandaram longos “mandatos”.

Outro ponto é o poder de produção de um Estado socialista. Se eu quero um tênis mas o governo entende que botas são essenciais, terei que ficar com botas e não com tênis tirando assim meu poder de escolha.

3º Atraso tecnológico: Quantas pessoas na Coréia do Norte possuem um smartphone? E carros em Cuba?

Como o Estado produz o que julga necessário à sua população, muitos dos avanços tecnológicos das economias capitalistas não são encontrados em economias socialistas. Você realmente não precisa de um celular que da um zoom de 300x, nem de um carro que conversa com você… então o governo não irá produzi-lo.

Em uma economia de livre mercado as empresas precisam inovar para conquistar novos clientes e isso motiva a inovação e a criação de novas tecnologias. Melhores computadores, celulares, carros, produtos para casa e até aparelhagem médica que cuida de nossa saúde veio da necessidade de uma empresa privada conseguir lucros.

Então é isso. Eu acredito em um mercado livre e eficiente onde a oportunidade está para quem ousar alcança-la. Claro que o sistema capitalista possui falhas. Oras bolas, todos sistemas possuem as suas, mas acredito que com o desenvolvimento humano e tecnológico é possível chegarmos a um mundo melhor.

E vocês, o que acham?

Se gostou não deixe de compartilhar com os amigos!

Até a próxima!

22 COMMENTS

  1. Concordo plenamente quando você cita que todos os sistemas possuem falhas, assim como socialismo, o capitalismo funcionaria de forma exemplar se fosse praticado como nas definições escritas. Porém existem muitos fatores que cito como principal a corrupção, que geram as falhas nos sistemas. Não conheço nenhuma economia que tenha adotado o Socialismo / Comunismo e que não tenha fracassado de algum modo.

    • Correto José! O principal problema de economias socialistas é o poder centralizado nas mãos do Governo, sendo que este deveria agir de forma correta e sem corrupção.

      • Pois é, quanto mais centralizado o poder na mão do governo maior o risco de corrupção! mas não acredito que dentro de um liberalismo total o mercado se sustente por muito tempo, o governo deve interferir, mas somente dentro dos parâmetros mais necessários para ajudar a manter uma balança comercial favorável.

  2. Uma das melhores criticas que já li sobre o tema foi a Revolução dos Bichos de George Orwell, uma sátira muito bem escrita sobre o avanço de um regime totalitário…Este livro foi tão bem escrito que tornou-se atemporal…

  3. Longe de defender Cuba como grande exemplo de alguma coisa, mas fica a indagação:
    Vale mais ter carros e celulares avançados pra apenas uma parte da população ou não ver gente passando fome nas ruas? Vamos comparar Havana com São Paulo. Você não vê desabrigados na cidade de Cuba como no Brasil. A saúde e educação pública são muito mais eficientes que as nossas. Sim, Cuba é uma pequena ilha perto do Brasil.
    Mas observemos países da América Latina tomados por pobreza e anos de neoliberalismo.
    Não preciso relembrar que o IDH de Cuba é ‘muito alto’ juntamente com Chile, Argentina, EUA e Canadá na América.
    Repetindo: os dois modos de governar tem suas falhas, mas será que a ideia de desenvolvimento defendida pelas mídias e presentes na opinião do autor são realmente um avanço ou um falso progresso? Será que o real desenvolvimento não seria garantir autossuficiencia de sua população ao invés de enriquecer uma minoria? Abraços.

    • Olá Felipe, muito obrigado por comentar e interagir com o blog!

      Nós do Economia sem Segredos defendemos o livre mercado como uma opção, porém não unica solução, aos problemas enfrentados por muitos países hoje. Como você mesmo disse, a comparação entre os países Cuba e Brasil é realmente difícil, uma vez que o tamanho destes implica em dificuldades particulares que um pode ter, enquanto o outro não.

      Sobre a comparação mais restrita de Havana e São Paulo, podemos ver que a cidade paulistana por ser uma megalópole possui diversos problemas que são enfrentados e combatidos lentamente pelo poder público (novamente o governo sendo ineficiente). Já Cuba, uma país reconhecidamente pobre com notícias constantes de agências internacionais sobre a fome, a miséria e o atraso econômico tem outras dificuldades que devem ser combatidas pelo seu próprio governo. Exemplo disso é um ditado famoso que ficou conhecido na década passada quando um jornal disse que devido o escasso mercado de trabalho muitas estudantes se voltavam a prostituição, com um elevado número de prostitutas, resultando na frase “Em Cuba até as estudantes são prostitutas” enquanto o presidente de Cuba a época disse “Em Cuba até as prostitutas são estudantes”.

      Reconhecemos que Cuba possui características positivas, mas não podemos negar que décadas de um sistema ditatorial no país resultou em uma situação social inferior para a população, se olharmos os demais países do mundo. Por fim, acreditamos que uma economia capitalista em pleno funcionamento (com o auxílio do Estado como um regulador) tem o poder de desenvolver o lado não só econômico de um país, mas também seu lado social.

      Abraços,

      Denis Ferreira

    • O Estado nunca irá conseguir matar a fome de todos, já o capitalismo, matou a fome de milhares de pessoas. Prova disso é a revolução industrial, muitos a criticam, afirmando que os trabalhadores trabalhavam em situações precárias, péssimas, sem segurança, mas não lembram que a Inglaterra estava saindo do feudalismo. E durante esse época, as crianças morriam de fome, porque os pais não tinham emprego, logo, não tinham dinheiro para comprar comida e sustentar a família. Então, por mais que eles trabalhassem em situações precárias, foram salvos pelo capitalismo. Outra crítica é a respeito das mulheres e crianças, que também trabalhavam nas mesmas condições, porém, se não trabalhassem, iriam morrer de fome. Ou seja, o capitalismo os salvou. Voltando para os tempos modernos, pergunte aos seus avós, o que eles tinham à 30 anos atrás. Marx dizia que o capitalismo deixava os ricos mais ricos, e os pobres mais pobres. Isso é mentira. À 30 anos atrás, as pessoas não tinham geladeira, fogão, micro-ondas, eletrodomésticos, carro. Por causa do capitalismo, hoje qualquer pobre tem esses produtos, e muitas vezes, até carro, que hoje não é luxo, e sim necessidade. Então, isso prova que o capitalismo não deixa os ricos mais ricos, e os pobres mais pobres, pelo contrário, deixa os ricos mais ricos, e os pobres também mais ricos. Claro que hoje ainda existem pessoas em situações de miséria, mas isso é culpa do estado, que interfere na economia, e não deixa o capitalismo fazer o que ele faz de melhor, melhorar a qualidade de vida. Um exemplo da falha do estado é a criação de impostos e leis trabalhista. Hoje, para um empresário contratar alguém, ele deve ter em mente que terá que desembolsar o dobro do salário do funcionário, para poder contratá-lo, pois deverá pagar impostos e leis trabalhistas. E com isso, ele acaba não contratando ninguém. O capitalismo tem seus defeitos, mas nenhum outro sistema tem suas qualidades. Abraço

  4. Gostaria de frisar que a fraca evolução econômica em Cuba e Coreia do Norte, não deve-se somente ao sistema político implantado e sim por embargos feitos pelos EUA. Diferente destes, a Rússia (antigamente União Soviética), obteve muito desenvolvimento econômico no período socialista. Óbvio que com a globalização e a interdependência econômica mundial, seria impossível manter-se socialista (seria uma barreira). Acho que o capitalismo se encaixe melhor aos anseios da população atual, mas sem um estado forte e competente para regula-lo o insucesso é questão de tempo. A nova visão neo-liberal só funciona nos EUA, a Europa luta para que este neo-liberalismo não avance ao ponto de retirar direitos básicos do cidadão ou estatizar serviços básicos oferecidos pelo governo. No caso específico do Brasil, a corrupção é o maior vilão. Temos riquezas estatais suficientes para termos um governo eficiente e auto-suficiente, mas esbarramos em maus governantes e suas ganancias. Fica minha opinião.

    • Então Cuba deveria sustentar o socialismo as custa do capitalismo dos EUA? Então para um país ser socialista, deve existir outro que deve ser capitalista ? Isso prova que o socialismo não funciona, não tem autonomia para se sustentar sozinho, e entra em contradição. Ludwig von Mises previu décadas antes, que a URSS iria entrar em colapso, iria acabar, e foi isso mesmo que aconteceu. Os países da Europa não querem o avanço do neoliberalismo porque eles são corruptos, e querem um estado inchado. Para ser mais franco, querem mamar na teta do estado. A respeito da corrupção no Brasil, ela só existe porque o estado é inchado. Abraços.

  5. Olá, Denis. Não sei se a competição é a variável independente para explicar avanços tecnológicos. A URSS soviética botava satélite no espaço brincando enquanto os países do bloco capitalista ficavam pra trás. Parabéns pelas suas exposições, pois são bem didáticas. Vale a pena sugerir fontes de consultas pró e contra. Abç.

    • Olá Marcello, tudo certo?

      Em questão de tecnologia nós temos um grande problema para medição quando podemos ver uma situação “8 ou 80”.

      Imagine que em uma economia totalmente centralizada nas mãos do governo, este tem o poder para aplicar o quanto quiser de recursos nas áreas de pesquisa, bem como imprimir mais dinheiro se assim desejar. Quando o Estado possui o controle da Terra, do Trabalho e do Capital de um país, torna-se mais simples desenvolver áreas que ele acredita ser essencial, vide os investimentos em áreas bélicas da Coréia do Norte, por exemplo.

      No mais, a competição em países capitalistas tendem a incentivar a inovação por si só, sendo que a “melhor” empresa se destaca frente as demais, sem subsídios e etc..

      Abraços.

  6. A intervenção estatal é algo que se faz necessário no sistema capitalista e neo-liberal em que vivemos (fato). Os ciclos de crise pelo globo acontecem sempre. A busca por insumos devido ao crescimento e busca por novos mercados irá acabar com recursos naturais. Acho que assim como a velha lei da oferta e demanda devemos parar de rotular esquerda e direita e achar o equilíbrio entre o comercio e o dedo do Estado.

  7. Discordo um pouco do seu ponto de vista. Não acredito em uma economia planificada nem em uma completamente liberal. Acredito em um Estado que trabalhe na redistribuição de riquezas (evitando a concentração excessiva de capital) e invista pesadamente em setores como saúde e educação, trabalhando em conjunto com o mercado. Apesar de discordar, achei o seu texto bem interessante, e tive a sensação de que você é uma pessoa bem sensata e razoável (alguém que não despreza a opinião alheia e não é “cego” nas suas crenças). Parabéns, continue assim!

  8. Gostei muito do artigo. Porém, quando se incentiva a competição afim de alcançar melhorias na criação de novos produtos, tecnologia e etc… Esquecemos que a matéria prima que utilizamos vem da natureza, e que por melhor que fosse para a sociedade com este tipo de regime competitivo, esta não foi preparada para acompanhar tal crescimento e utilização de recursos naturais. Voltarei ao blog com certeza, muito bom…

  9. Ótimo artigo. Parabéns. Que bom seria se a população brasileira tivesse conhecimento sobre o que realmente é o liberalismo e o socialismo. Então veriam que o verdadeiro vilão é o socialismo, e não o capitalismo.

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